Moro no Rio de Janeiro e em primeiro lugar, gostaria de salientar que pelo fato da prostituição ser uma das primeiras profissões com registro no mundo, deveria ser encarada com menos hipocrisia e mais respeito.

Este espaço é dedicado a compartilhar meus momentos, minhas histórias, pensamentos, aflições e alegrias deste submundo repleto de perigos, sofrimento, mas também sabedoria e grandes lições.

O dia em que paguei um GP

Pela primeira vez eu estive do lado de lá. Sim, eu fiquei com muita vontade de transar com uma pessoa que não fosse o meu marido e busquei a ajuda de um profissional para isso. Seria melhor no meu ponto de vista porque ele não teria informações sobre mim, não ficaria me questionando e nem corria risco de ficar atrás de mim depois.

O que eu não imaginava era experimentar energeticamente todo o malefício desse tipo de relação agora do outro lado. O que eu achava que eram pontos positivos agora eu vejo como negativos. É horrível se relacionar com alguém simplesmente pelo prazer carnal, sem conhecer a pessoa, sem uma conversa franca, sem empatia, sem uma ligação com um mínimo de amor que seja. Alimentar em si esse ego e essa compulsão sexual é tão ruim tanto pro acompanhante por receber esses impulsos energéticos alimentando seu próprio carma, quanto para a pessoa que o procura muitas vezes tentando liberar seus desejos e preocupações através do sexo. E muitas vezes sem saber ambos acabam fazendo mal a si mesmos alimentando essa energia negativa em si e materializando-a no ato sexual. Criam um vínculo espiritual com essa energia que em vez de os libertar, acaba os aprisionando em amarras e desejos mentais cada vez mais impossíveis de controlar.

Não foi tão bom quanto eu queria. Mas foi necessário para que eu pudesse ver o que eu estava fazendo comigo mesmo mais uma vez. A verdade é que não importa onde estejamos, precisamos aprender a alimentar o amor em nós.

Deus e o Diabo – a ordem e o caos interior

Por que perdemos tanto tempo? Somos mestres a arte de nada fazer e de perder tempo. Neste momento não estou falando exclusivamente de quem faz programa… Falo do ser humano como um todo, mas com um olhar especial, para nós que fizemos programa sim. Perder tempo para todos é cômodo, “bom” e “gostoso”. Esquecemos que de coisas legais o inferno está cheio… Pessoas medíocres perdem tanto tempo brigando por coisas tão tolas e tão fúteis… Com certeza ainda estejam vivendo nos níveis mais inferiores de consciência.

Vivemos num mundo que que é possível acessar os níveis mais evoluídos de consciência, mas também os níveis inferiores aos desta terceira dimensão em que habitamos. Essa é a beleza desse mundo, podemos ir do inferno ao paraíso em questão de segundos. Ou talvez esse seja ainda nosso carma?

O que é viver numa casa onde deveria ser o lugar mais seguro do mundo para um ser humano, com medo de receber a qualquer momento um tiro de bala perdida? Ou o que é viver pelas ruas, sem rumo e sem sentido num mundo completamente desorganizado e cercado de leis que só beneficiam aqueles que tudo tem, aqueles que já estão no poder…? O que é viver passando fome? viver esquecido…?

Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno.

1 João 5:19

Essa curta citação da Bíblia deixa claro que Satanás assumiu o controle deste mundo caído através do engano. Ele tem se empenhado em cegar o entendimento dos homens distanciando-os cada vez mais da verdade e por isso o próprio Jesus o chama de “Príncipe deste mundo” (cf. João 14:30). Não estou aqui para falar de religião, mas pensemos por este lado por um instante… O que aqueles que no poder estão fazem pelo bem em comum? Nada. Afinal vivemos em uma sociedade capitalista que visa, valoriza e prioriza apenas o bem individual.

Deus e o diabo não são coisas, não são seres e não estão exteriores a nós. Pelo contrario, eles se materializam a partir de nós e se perpetuam para além de nós. Eles nascem daquilo que trazemos, alimentamos e principalmente a partir das decisões que tomamos dentro de nós. Escolhemos a cada atitude tomada em qual lado vamos estar. Mas para estarmos ao lado desta figura divina precisamos fazer por onde. Deus não é como o Diabo que está sempre ao nosso lado tentando nos fazer errar e nos entregar aos desejos da carne e aos prazeres deste mundo, que não são ruins, são bons… mas lembre-se: nem tudo que é bom é do bem e nos trará bons frutos…

Deus esta presente na bondade longe de toda a crueldade, na leveza longe de tudo o que há de pesado, na paz longe de todo o caos, na ordem e na harmonia longe de toda a desordem, no aconchego longe do abandono, no carinho e de amor longe de todo e qualquer tipo de egoísmo, na realização, nos sorrisos e nas alegrias. Deus é um estado de consciência, um chamado à uma vida mais plena, mais palpável e mais alinhada com aquilo que queremos de melhor para nós mesmos e que as vezes vive sob as trevas escuras do nosso insconsciente. Deus é um chamado às boas novas, à boa vida ou apenas à vida.

O dia que entrei pra faculdade

Acho que um dos dias mais felizes de toda a minha vida foi o dia em que deixei o comodismo de lado e consegui em fim entrar pra universidade. E sim, eu era um acompanhante de site que estava entrando pra universidade.

Eu estava super confiante, cheio de vontade pro início das aulas até que em fim chegou o dia… Conheci a turma, e o pessoal da universidade de comunicação pareciam todos super mente aberta e gente boa… Até o dia que fui na primeira chopada da universidade. E para quem não sabe o que é “chopada”… chopada é uma festa onde todos os universitários e alguns penetras se encontram e bebem. Eu como sempre, bebi além da conta e nesse dia entrei numa super bad na qual eu achava que todas as pessoas ali presentes estavam me olhando com olhar de julgamento. Parecia que todos sabiam que eu me anunciava num site na internet e trocava alguns momentos de sexo por dinheiro. A exposição nunca tinha sido um problema tão grande para mim. Era uma vibração muito forte, um sentimento de angústia, de tristeza, de julgamento. Foi quando saí correndo pro lado de fora e lá, fumando um cigarro com uma amiga que sabia o que eu fazia que eu fui aos poucos voltando ao meu estado normal de consciência.

Sim, uma ou outra pessoa estavam me julgando naquele lugar. Mas o grande julgador naquele lugar era eu mesmo sobre mim mesmo. Sempre somos nós mesmos aqueles que mais se julgam, que mais se maltratam, que mais olhamos para os “defeitos” do que para as nossas qualidades. Ser julgado é uma consequência de tudo o que escolhemos fazer na vida, mas como vamos lidar com esse julgamento cabe somente a nós dar valor ou não. Depois daquele dia eu nunca mais me importei mais do quem com o fato de me aceitar exatamente como eu era. Afinal, eu estava caminhando para a mudança e eu não iria parar no meio do caminho porque meia dúzia de pessoas olharam torto para mim e riram da minha cara. Eu não tinha culpa se eles eram tão imaturos, insensatos e desprezíveis. Eu não podia estar errado por lutar, eu estava tentando ocupar o meu espaço. O espaço que eu eu sempre sonhei em estar e ninguém iria me parar.

COMO PAREI DE FAZER PROGRAMA E COMO O SANTO DAIME ME AJUDOU?

A primeira coisa que deve ser feita para quem está passando por este processo é querer. Querer muito parar de fazer programa. O segundo é não se culpar, é aceitar a vida do jeito que ela está.

É complicado a gente mudar. Nossa mente, fazendo jus ao próprio nome… adora nos mentir, nos enganar. Dessa forma por milhares e milhares de vezes ela tentará te enganar te dizendo que é impossível de sair desse círculo vicioso que se transformou sua vida e sua realidade. Ganhar dinheiro rápido e se acomodar com isso é o grande pecado que cometemos no decorrer da vida de programa. A vontade e o desejo de lutar e trabalhar irão aos poucos, mas bem aos poucos… florescer dentro de você. Por isso eu digo que é preciso querer muito, pois quanto mais você nutrir esse desejo e essa vontade de voltar a ter uma vida mais “normal”, sabendo que vai ter que trabalhar, estudar e ralar… mais o universo e Deus se encarregarão de lhe fornecer aquilo que for necessário para o seu progresso e vitória. Todas as guerras, todos os caminhos são difíceis e assim como você pouco a pouco alimentou dentro de você os desejos para se tornar um garoto de programa, alimentando a luxúria, a ganância, os vícios… aos poucos que você irá conseguir tirar de dentro de você e substituir esses desejos que te conectam a essa realidade por outros que te levarão a uma vida nova.

Eu tive o privilégio de participar de alguns rituais do santo daime e sem sombra de dúvidas, ele mudou a minha vida, mudou a maneira de como eu encaro a vida e a maneira como encaro e lido com todas as situações, sejam internas ou externas a mim. Abriu meus olhos para uma realidade desconhecida até então e me levou direto ao encontro com o mistério da espiritualidade. Confesso que a parte mais difícil de eu aceitar sobre mim durante o ritual era o fato de alimentar alguns demônios internos e que particularmente, eu gostava de alimentar. Ver que eu estava errando comigo mesmo foi muito doloroso, mas ao mesmo tempo libertador.

“Não há despertar de consciência sem dor. As pessoas farão de tudo, chegando aos limites do absurdo para evitar enfrentar a sua própria alma. Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por tornar consciente a escuridão.”

CARL JUNG, A PRÁTICA DA PSICOTERAPIA, 1985.
https://www.pensador.com/frase/MTI5MTIyMQ/

O que é certo e o que é errado são apenas questão de ponto de vista. Não existe errado ou certo. Existem algumas coisas que nos trazem paz, felicidade, harmonia, amor e coisas que nos trazem depressões, medos, angústias, dores, sofrimento, caos. Com o passar dos anos adquirindo maturidade, ou em alguns rituais do daime ou na terapia vai se descobrindo por onde suas atitudes estão te levando. Assim você mesmo vai separar o joio do trigo. Eu sou muito grato pela prostituição e se eu fosse escolher hoje ter ou não ter vivido o que vivi eu escolheria viver. Pois foi me perdendo que eu consegui me encontrar, ou melhor… me reencontrar. Reencontrar com a criança que existe dentro de mim e com os sonhos que eu sempre tive e que eu havia esquecido pelo caminho.

Se você está neste momento pensando que está na hora de parar… Vá em frente, tenha muita fé em si e na vida e não desista. Lute como você sempre lutou. Pode demorar… Mas eu tenho certeza absoluta que se for isso mesmo que você quer, você vai chegar lá e Deus e o Universo vão preparar o caminho que irá te fazer chegar lá.

Ocultar ou não a verdade para os crushes?

Um dos grandes dilemas de quem vive fazendo programa é: Contar ou não a verdade para aqueles crushes que estamos conhecendo?

Conheço várias pessoas que vivem duas vidas e que conseguem sustentar a mentira por longos anos, ocultando a verdade de seus maridos casadas a anos e com filho(s). E também conheço transexuais que além de ocultar o fato do programa, ocultam também que são transexuais. Uma super amiga vive casada a quase três anos, tem filho e o marido parece viver sem saber da verdade, ou no mínimo fecha os olhos para a realidade, como a maioria das pessoas amam viver, numa ilusão somente para satisfazer uma felicidade interna que na verdade é irreal e não existe. Outro dia ela me contou que ele pegou uma conversa dela com um cliente antigo que bancava ela a alguns anos com cerca de 15 mil reias por mês, isso quando ela ia e as vezes ele de tão drogado que ficava esquecia que havia pago e pagava novamente. Era um super cliente, porém com um super problema de se encarar e que em outro post faço questão de me aprofundar mais sobre este assunto de drogas e que sim, é muito polêmico.

Outra amiga transexual não operada, conhece boys pelos aplicativos de celular e marca encontros sem falar nem uma coisa e nem outra. Chega na hora, alguns percebem de sua transexualidade e que a mesma é acompanhante e outros não. Ela é super feminina, não desconfia-se nem pela sua voz. Eu mesmo quando a conheci levei uma semana para descobrir que era Trans, isso porque uma outra amiga em comum que me contou. Bom, voltando ao assunto… Ela faz isso várias vezes e sempre exige que os homens paguem a conta total da consuma do jantar porque na visão dela, mulher não paga conta. Os encontros eram marcados quase sempre em um restaurante chamado Athenas que se localiza na Augusta em São Paulo e é conhecido principalmente no meio gay por ser um ótimo restaurante, por ter um bom atendimento e um preparo especial para receber todos os tipos de público. Eu nunca deixei de avisá-la sobre o risco que ela estava correndo pois vivemos em uma sociedade misógina, machista e muito transfobica. As chances de ela chegar na hora “H” com um destes homens que não desconfiam de sua transexualidade e sofrer agressões são imensas. Mas não há nada que a faça mudar de pensamento e de atitude. Parece gostar do perigo, parece gostar da mentira. Um dos últimos namorados dela namorou com ela cerca de oito meses sem desconfiar de absolutamente nada. Apresentou a família dele e tudo. Sempre faziam sexo anal e cada vez ela inventava algo ou escondia o maldito e de lado fingia estar fazendo sexo vaginal.

Eu particularmente, depois de me enrolar algumas vezes tentando omitir isso aprendi que contar desde o princípio, isso significa, contar antes mesmo do primeiro encontro , falar na lata durante as primeiras conversas online era essencial para se ter uma boa relação e mais verdadeira, já que eu praticamente vivia uma vida repleta de amores, desejos e vontades de mentira. Eu sempre preferi sofrer pelos efeitos da verdade, à vir sofrer pelos efeitos da mentira no futuro onde a história já estaria enrolada, complexa e muito mais intensa. Parece muito simples falar assim, mas trabalhar com a verdade parte de princípios, de vivencias e de esferas muito profundas da consciência humana. Quero reafirmar que não estou aqui para julgar ninguém e a escolha de vida de ninguém, meu papel é contar e compartilhar com vocês histórias que vivi ou que vi.

Amar também é querer

Eu sinceramente, nunca pensei que fosse me apaixonar por um homem maduro e vamos falar abertamente… mais velho do que eu. A parte mais difícil para mim no começo era o julgamento. Onde eu andava com ele eu achava que as pessoas estavam me julgando. Era olhar torto pra mim que eu já pensava que estavam falando: “olha o garoto novinho com aquele cara mais velho, é garoto de programa só pode ser…”.

Cheguei pensar em desistir do meu relacionamento inúmeras vezes. Sempre que estamos prestes a tomar grandes decisões na vida somos obrigados a abrir mão de grandes coisas. Nesse caso o que minha mente autodestrutiva me fazia questionar era se valia a pena abrir mão da minha liberdade e da vida que eu levava a anos, fazendo questão de “mostrar” o tempo inteiro nas situações da vida o quanto seria difícil continuar com a escolha que eu estava fazendo, por mais fácil que podia ser… Eu queria desistir porque eu não sabia o que estava acontecendo comigo e eu sempre tinha vivido em cima da minha verdade de que não era possível se apaixonar por caras mais velhos. Estava cego. E por ser julgado algumas vezes por olhares estranhos eu estava deixando de viver a minha vontade, e permitindo que outras pessoas governassem a minha própria vida.

A gente é julgado o tempo inteiro por tudo. Pelo médico, pelo garçom, pelo cabeleireiro, pela secretária, pelo mundo todo… Mas o fato de como ou porquê seremos julgados não deve ser o pilar para nenhuma de nossas escolhas de vida. Porque a vida é muito maior do que qualquer opinião, julgamento ou visão. Cada ser humano um universo inteiro, cada ser humano vive o amor de uma maneira porque sim, somos todos diferentes.

Depois de alguns meses de relacionamento e conhecendo ele que eu comecei a mudar; e quando digo mudar, estou falando intimamente sobre as coisas que achamos mais e menos importantes, sobre valores… Para que eu mudasse, comecei a mudar as coisas que eu me importava. Comecei a não me importar mais com a opinião dos outros, comecei a valorizar mais a chama do amor que existe entre nós… comecei a pensar mais em nós, a viver mais por nós e o mundo todo a minha volta começou a mudar junto comigo porque quis mudar os meus valores. Isso não representa que eu não sou mais julgado todos os dias por ter escolhido ter um relacionamento com um cara mais velho do que eu. Mas significa que o modo com que eu encaro isso não me incomoda mais e isso tornou tudo leve, mágico e maravilhoso.

Eu aprendi na pele que por mais que eu tenha 24 anos, idade nada tem a ver com maturidade. E uma pessoa jovem pode ser sim muito madura, assim como uma pessoa mais velha pode ser completamente imatura. Aprendi que beleza não é nada importante quando o assunto é amor de verdade. E para aqueles que acreditam que o amor simplesmente acontece, sinto-lhes informar… Na prática, não funciona assim… Você vai se machucar, você vai sofrer, vai precisar abrir mão de coisas que antes você achava essenciais e aí sim você vai começar a construir a base para aquilo que num futuro próximo, ou não, você venha chamar de amor! Viva o amor… nas mais diversas formas e maneiras de senti-lo. Viva o Sol… que passa noite, passa as nuvens, passa a tempestade, o furacão… Lá está ele para encher os corações de amor e luz! Busque o aperfeiçoamento, e por mais difícil que seja, não desista. Você vai ser feliz se querer ser feliz e se estiver disposto a sacrificar o que for necessário. Porque o caminho é árduo em todos os sentidos, mas somente o amor é e sempre será capaz de nos libertar.

Preço alto

Eu sempre quis entender como era a vida daquelas pessoas que tem tudo e que são mega importantes, mas que vivem presas nas ilusões pessoais achando que não tem nada e que não são nada de importante…

É, conheci um cara assim… ele tem tudo, mas é infeliz. Vive se vitimizando e acho que eu estou conseguindo ajudá-lo a se reconectar com a sua essência, seu espiritual e sua verdade… E talvez isso tenha feito ele se apaixonar por mim e eu que achava que iria ficar pra titia e que nunca encontraria um homem que prestasse na minha vida, hoje estou aqui… chegou a minha bendita hora… Quem diria… Quando eu vivia de programas eu achava péssimo o fato de ter que me deitar com outros homens, ser usado e tratado como objeto. Mas agora que encontrei um homem importante que está me tirando dessa vida, que me ama de verdade, acho péssimo também… Como pode? A gente sempre encontrando coisas negativas para se apegar e se magoar… E depois de dois meses juntos acho ruim ter que abrir mão da minha liberdade. É, estou descobrindo que o preço de um relacionamento de verdade é a liberdade. E o que vale mais? A liberdade ou uma vida calma, tranquila, feliz e ao lado de uma pessoa que te ama de verdade?

Me parece que na realidade tudo nunca está bom. Lutamos e lutamos para chegar a algum lugar feliz e quando chegamos percebemos que a felicidade não mora realmente por ali. Quando aprendermos definitivamente que felicidade são momentos e não perene tenho certeza que aí sim, seremos muito felizes. Eu to mudando e hoje, acredito que estou aprendendo a valorizar outras coisas num homem e que o amor verdadeiro não nasce da noite pro dia, mas nasce se pelo menos um dos dois lutar de princípio. Estou aprendendo a me concentrar mais em mim e a valorizar o presente, o aqui, o agora. Pois se aqui estou e se ele faz parte do aqui é porque em algum momento lutei para merecer estar aqui agora e ao lado dele. #carpediem #circles #postmalone

Meu primeiro programa

Fui um acompanhante que viveu na Zona Sul do Rio de Janeiro em uma das melhores regiões do Rio – Copacabana. Um bairro super badalado e repleto de gente que faz programa pelo fato de ser um bairro bem localizado, “seguro” e mais acessível financeiramente. Iniciei nessa vida aos 20 anos de idade e viajei por mais de 10 estados brasileiros onde morava em torno de um a três meses, fazendo o que chamamos de “temporada”. Quando comecei era muito jovem e não tinha noção de quanta coisa me aguardava pelo caminho. Era super inocente. Na época, antes de iniciar na profissão do sexo eu trabalhava em uma grife de shopping em São Paulo, mas os gastos eram tão grandes que as vezes eu não tinha dinheiro nem para comer. Lembro que tinha vezes que minha mãe me mandava escondida de meu pai setenta reais para que eu tivesse como me alimentar.

Foi nessa época que encontrei uma amiga da mesma cidade que nasci perdida por São Paulo e que era ficha rosa. Para quem não sabe o que é ficha rosa eu explico: São modelos de agencias conhecidas ou não, que fazem programa por caches muito mais altos que o normal e que não se divulgam em sites pela internet. É algo mais discreto. Então, peguei o contato de uma dessas agenciadoras que por sinal não trabalhava para agencia nenhuma e sim por conta própria e perguntei se havia algum cliente para mim. Ela disse que não havia… Foi quando eu comecei a procurar caras mais velhos adicionados em seu Facebook e “cutucar”, que na época era coisa muito comum. Quando um daqueles vários senhores que eu havia cutucado me “cutucou” de volta eu então parti para o ataque. Ele tinha em torno de 60 anos e tinha desejos sexuais por garotos novinhos. Depois de muita conversa e papo, acertamos um valor e fui até ele. Chegando ao local ele estava bebendo um vinho e me convidou para o acompanhar. Fiquei impressionado com o belo apartamento e que por sinal era em um bairro super bem localizado. Tomamos algumas taças, conversamos… Tudo ocorreu muito bem, tirando a transa… Pois fui passivo e além de eu nunca gostar muito de ser passivo, lembro que na época eu não tinha muita experiencia em ser. Resumindo, era um sacrifício para mim. Quando terminamos fui tomar meu banho e ao sair do banho, entrando no quarto, ele havia deixado o combinado em cima do divã. Vesti a roupa e fui embora. Nunca havia me senti tão mal em toda a minha vida, tão sujo. Era a primeira vez que eu trocava momentos de prazer por dinheiro. Eu era em fim, um garoto de programa.

O primeiro programa, ou algum dos primeiros programas costumam ser o batismo de um acompanhante. A gente em algum momento acaba sentindo toda a energia com a qual estamos nos envolvendo… E essa energia na maioria das vezes é muito pesada e dolorosa espiritualmente e emocionalmente falando. Pois estamos trocando algo que deveria ser sagrado por dinheiro, bens materiais e coisas somente materiais. Nos afastando da comunhão com Deus e com o amor universal… Com o passar do tempo vamos nos acostumando com isso ou criando barreiras psicológicas para blindar esse sentimento negativo. Mas infelizmente depois de alguns anos vivendo essa experiência eu não aprendi e não conheço pessoas que tenham conseguido escapar dos efeitos catastróficos que essa realidade causa no emocional e no espiritual. Uma hora será preciso encarar de frente e quando essa hora chegar é preciso aprender a aceitar. ACEITAR para poder se transformar.